Linfomas: o que são?

Traduzem um conjunto de doenças do sangue em que os linfócitos se multiplicam de forma anómala, como explica Luísa Morais, especialista em Medicina Interna e responsável pela Consulta de Hematologia do Hospital Lusíadas Lisboa.

Os linfomas são dos tipos de cancro mais comuns em Portugal

Os linfomas são um dos tipos de cancro mais comuns em Portugal, ocupando o nono lugar. São um grupo de doenças malignas do sangue, caracterizadas pela proliferação descontrolada de linfócitos e de células de gânglios linfáticos, conduzindo ao aparecimento de células malignas capazes de invadir os tecidos do organismo. Podem ser classificadas como Hodgkin e não Hodgkin. Este último grupo corresponde a 85% dos linfomas. Existem vários tipos de linfomas: uns crescem lentamente e outros mais rapidamente. A origem da doença é ainda desconhecida, embora se tenham identificado algumas causas e fatores de risco.

Quem é afetado?

A  doença pode surgir em qualquer idade, incluindo crianças e jovens, mas é mais frequente nas pessoas mais velhas. A idade média em que é feito o diagnóstico é aos 65 anos, afetando mais homens do que mulheres.

Sinais de alerta

Muitas vezes, o primeiro sinal é haver gânglios cujo volume aumentou. Estes gânglios, que normalmente não são dolorosos, podem estar no pescoço, nas axilas ou nas virilhas. Os gânglios linfáticos mais profundos podem causar sintomas. Por exemplo, quando se situam em redor do pulmão, podem provocar tosse ou falta de ar. Outros sintomas incluem febre, perda de peso ou suores noturnos.

Diagnóstico

O diagnóstico pode ser feito recorrendo aos seguintes exames:
Análises sanguíneas;
Exames de imagem, nomeadamente, TAC ou PET, para identificar gânglios profundos e localizações orgânicas,
Biopsia de um gânglio linfático, assim como biopsia osteomedular, que é feita no osso ilíaco, para retirar um fragmento ósseo e uma amostra de medula óssea.

Caso seja necessário, fazem-se biopsias de outros tecidos com suspeita de linfoma. Estas biopsias permitem caracterizar o tipo histológico do linfoma e conjuntamente com os exames de imagem perceber o estádio de desenvolvimento da doença.

Como se tratam os linfomas?

Antes de se tratar, é necessário apurar o estádio do linfoma, para determinar a disseminação da doença no sistema linfático e no resto do corpo. O tratamento depende em parte do tipo de linfoma, do estádio da doença, da idade e de outros problemas de saúde da pessoa.

Em alguns linfomas, a atitude terapêutica é apenas vigiar, enquanto noutros é necessário intervir rapidamente.

O tratamento é feito com quimioterapia, radioterapia ou eventualmente transplante de medula óssea.

Taxa de incidência em Portugal

Há 17 pessoas afetadas, em cada 100 mil. Está entre as 10 primeiras doenças cancerígenas, ocupando o nono lugar, de acordo com o último relatório da Direção-Geral da Saúde, de 2015. De acordo com os dados de 2013, a taxa de mortalidade é de 6,8%.

Taxa de cura

Varia entre os 40% e os 90%, dependendo do tipo de linfoma, do estádio da doença, da massa tumoral, da idade e do estado geral do paciente.

Colaboração:
Luísa Morais, especialista em Medicina Interna e responsável pela Consulta de Hematologia do Hospital Lusíadas Lisboa

Especialidades em foco neste artigo:
Medicina Interna