A alimentação durante tratamentos oncológicos

Uma alimentação adequada é essencial para que o doente oncológico se mantenha nutrido, hidratado e ultrapasse os efeitos secundários dos tratamentos. Ana Rita Lopes, coordenadora da Unidade de Nutrição Clínica do Hospital Lusíadas Lisboa, explica como contornar alguns dos sintomas mais comuns decorrentes dos tratamentos oncológicos.

A alimentação durante os tratamentos oncológicos ajuda a atenuar os efeitos adversos.

Os vários tratamentos oncológicos têm um grande impacto a nível físico e psicológico, provocando diversos efeitos adversos. Mas, como explica Ana Rita Lopes, Coordenadora da Unidade de Nutrição Clínica do Hospital Lusíadas Lisboa, uma alimentação adequada durante o tratamento de qualquer tipo de cancro pode ajudar a:

  • Melhorar a sensação de bem-estar;
  • Ajudar a manter a força e energia;
  • Controlar o peso e os reservatórios corporais de nutrientes;
  • Contribuir para uma maior tolerância aos efeitos dos tratamentos;
  • Diminuir o risco de infeções.

 

Efeitos adversos dos tratamentos oncológicos

“Os efeitos secundários dos tratamentos oncológicos, particularmente da quimioterapia, podem afetar a ingestão alimentar”, refere Ana Rita Lopes. Os efeitos adversos mais comuns, com um impacto negativo no estado nutricional incluem, entre outros:

  • Falta de apetite;
  • Alterações do olfato e paladar;
  • Náuseas e vómitos;
  • Feridas na boca;
  • Obstipação ou diarreia.

 

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Assim, é essencial a intervenção nutricional nos doentes com cancro: tem um papel fundamental na prevenção e na reversão da desnutrição. E, embora deva ser sempre individualizada, seguem algumas estratégias chave recomendadas por Ana Rita Lopes para combater alguns dos efeitos adversos mais comuns dos tratamentos oncológicos.

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Náuseas e vómitos

  • Mastigue bem

Coma e beba devagar e mastigue bem os alimentos;

  • Faça refeições pequenas

Faça pequenas refeições e mais frequentes ao longo do dia, evitando refeições abundantes que podem aumentar a sensação de enfartamento e/ou desconforto abdominal;

  • O local onde come é importante

Coma num ambiente agradável, descontraído e sem odores intensos;

  • Evite certos alimentos

Evite alimentos condimentados e com molhos e ainda alimentos fritos, ricos em gordura, muito doces, salgados ou com odor muito forte;

  • Opte por alimentos frescos

Prefira os alimentos frescos ou à temperatura ambiente e dê preferência a alimentos secos como bolachas, torradas, tostas, cereais ou bolos sem recheio;

  • Ingira líquidos durante o dia

Ingira líquidos durante o dia, em pequenas quantidades e a intervalos regulares.

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Diarreia

  • Hidrate-se

Mesmo que não sinta sede deve ingerir líquidos (cerca de 8 a 10 copos de água, que equivalem a 1,5 a 2 litros por dia);

  • Evite consumir frutos crus e com casca

Prefira os frutos cozidos ou assados, sem casca (a banana é uma boa alternativa);

  • Evite os vegetais crus, legumes verdes e leguminosas

Consuma preferencialmente sopas simples com cenoura, abóbora, nabo e curgete sem casca;

  • Opte por pão branco (fresco ou torrado), bolacha Maria ou torrada, ou de água e sal e tostas de trigo

Evite os cereais de trigo, centeio ou integrais. Prefira os cereais de milho ou arroz;

  • Opte por leite sem lactose;
  • Prefira confeções pobres em gordura como grelhados, cozidos, assados e estufados sem gordura;
  • Prefira as carnes magras como frango, peru, vitela e retire toda a gordura visível.

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Obstipação

  • Ingira cerca de 8 a 10 copos (1,5 a 2 litros) por dia de água;
  • Prefira cereais integrais em vez dos refinados;
  • Consuma cerca de 3 a 5 porções de fruta por dia

Opte por frutas ricas em fibra, como kiwi, manga, papaia, ananás, ameixa e laranja;

  • Inclua sempre à refeição vegetais ou legumes sob a forma de sopas, saladas cruas e/ou legumes cozinhados como acompanhamento no prato;
  • Experimente a ingestão de sementes (linhaça, sésamo, etc.).

Pode adicionar 1 a 2 colheres de sopa de sementes, por exemplo, a saladas, iogurtes ou sopas;

  • Inclua na sua dieta frutos oleaginosos (nozes, amêndoas, avelã, cajus), que pode adicionar a saladas, iogurtes, sopas ou como parte de um lanche.

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Alterações do paladar e olfato

  • Prefira alimentos frios ou à temperatura ambiente

Prefira alimentos que tenham uma aparência e aroma do seu agrado, de preferência frios (frutos, gelatinas, mousses, iogurtes, batidos, sorvetes) ou à temperatura ambiente;

  • Os alimentos aromatizados podem ajudar a estimular o apetite

Utilize alimentos aromatizados para estimular o apetite, mas evite os aromas que lhe causem aversão;

  • Tenha sempre uma garrafa de água à mão

Tenha sempre consigo uma garrafa de água e ingira frequentemente pequenos goles;

  • Aromatize a água

Se sentir que a água tem um sabor alterado, aromatize-a por exemplo, com hortelã, canela ou casca de laranja/ limão. Ficará com um sabor mais agradável e refrescante.

 

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Se lhe falta imaginação para pensar em receitas que incluam estes cuidados, procure os conselhos dos especialistas presentes no livro “Receitas Deliciosas para Doentes Oncológicos em Tratamento“. A nutricionista Ana Rita Lopes foi uma das especialistas que ajudou à realização do livro que conta com a participação de 15 chefs prestigiados. Estão compiladas 87 receitas, criadas a pensar no bem-estar das pessoas que se encontram a fazer este tipo de tratamento. Há muito por onde escolher.

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Especialidades em foco neste artigo:
Nutrição Clínica