Doença Inflamatória Intestinal

A Unidade de Nutrição Clínica do Hospital Lusíadas Lisboa deixa algumas recomendações nutricionais que poderão ajudar no controlo da Doença Inflamatória Intestinal.

A Doença Inflamatória Intestinal (DII) é uma inflamação crónica, de causa multifatorial, que afeta o tubo digestivo.

A Doença Inflamatória Intestinal (DII) é uma inflamação crónica, de causa multifatorial, que afeta o tubo digestivo e cuja prevalência tem vindo a aumentar nos últimos anos. A sua expressão clínica mais frequente é a doença de Crohn e a colite ulcerosa. Têm em comum alguns sintomas, contudo a primeira pode afetar qualquer parte do trato gastrointestinal, enquanto que a segunda se limita ao intestino grosso.

A DII é caracterizada por períodos em que está ativa (com presença de sintomatologia) e períodos de remissão (em que não ocorrem sintomas). Os sintomas mais comuns são:

  • Diarreia;
  • Dor abdominal;
  • Perda de peso, sendo que na colite ulcerosa é, ainda, muito frequente a ocorrência de fezes com muco e sangue.

 

A importância da alimentação para a Doença Inflamatória Intestinal

A terapia nutricional a aplicar varia de acordo com a fase da doença, mas, de um modo geral, passa por evitar todas as substâncias suscetíveis de “agredir” a mucosa digestiva. Não é uma terapêutica linear, dado que a tolerância aos diferentes alimentos é variável de pessoa para pessoa. Contudo, independentemente da sensibilidade individual de cada um, existem alguns alimentos que devem ser evitados, principalmente quando a doença se encontra ativa:

– Alimentos integrais ou enriquecidos em fibra como pão integral ou com sementes, cereais de pequeno almoço integrais, muesli, arroz integral, massa integral ou bolachas digestivas/integrais;

– Alimentos ricos em cafeína: café, chá preto, chá verde e cola;

– Refrigerantes, bebidas gaseificadas e bebidas alcoólicas;

– Alguns condimentos e especiarias: picantes, pimenta, açafrão, entre outros;

– Alimentos ricos em gordura: fritos, batata-frita, piza, fast-food, queijos gordos, frutos oleaginosos (nozes, amendoins, amêndoas, entre outros);

– Alimentos fermentáveis como leguminosas (feijão, grão, favas, ervilhas), milho, pimentos e couves;

– Leite e derivados com lactose – os lacticínios sem lactose são, geralmente, melhor tolerados;

– Fruta com casca (a casca da fruta é bastante fermentável e pode causar distensão e desconforto abdominal) e frutas ácidas (laranja, limão, kiwi ou abacaxi);

– Alimentos com elevado teor de açúcar como bolos de pastelaria, bolachas com creme, chocolates e sobremesas lácteas.

Estratégias de controlo da doença

– O autoconhecimento e a identificação dos alimentos tolerados e não tolerados é fundamental, pelo que deverá ser elaborado de um diário alimentar, onde se registam todos os alimentos ingeridos ao longo do dia e eventuais reações.

– Durante a doença em remissão deve-se tentar realizar uma dieta o mais equilibrada possível, sendo imprescindível o acompanhamento por parte de um dietista/nutricionista que aconselhará o paciente quanto ao tipo de alimentação a realizar e a necessidade, ou não, de suplementação nutricional.