Diarreia: o que fazer?

A avaliação médica pode ser importante sempre que o problema se prolongue no tempo.

O que fazer em caso de diarreia?

Num adulto, a diarreia é um dos principais motivos de consulta em gastrenterologia. A diarreia pode ser aguda (quando dura alguns dias e tem como causa principal infeções virais) ou crónica. Nas situações ligeiras e autolimitadas não é necessário recorrer a um médico, refere Miguel Serrano, gastrenterologista do Hospital Lusíadas Lisboa. Mas esteja atento aos sinais que listamos de seguida para saber quando deve procurar um especialista. E tenha presente que o uso de antibióticos (que até pode ser uma das causas) deve ser excecional.

O que é?

Habitualmente, a diarreia traduz-se por uma alteração no volume e consistência das fezes. E está associada a um aumento do número de dejeções diárias.
Ainda assim, a definição estrita de diarreia não é consensual e cabe ao médico avaliar a sintomatologia apresentada. Devem valorizar-se quaisquer alterações ao normal padrão de funcionamento do intestino, bem como outros sintomas acompanhantes.

Quando ir ao médico

A avaliação médica justifica-se se não forem situações ligeiras e autolimitadas. Deve recorrer a um especialista nos seguintes casos:
Diarreia prolongada (por um período superior a 2 semanas);
Presença de sangue nas fezes;
Emagrecimento;
Sintomas noturnos;
Febre elevada e prolongada (duração igual ou superior a 72 horas);
Vómitos persistentes;
Sinais de desidratação;
Doenças crónicas ou imunossupressão concomitantes.

Tipos de diarreia

1. Diarreia aguda
As queixas não se prolongam por mais de 2 semanas e, na grande maioria, não ultrapassam poucos dias.

Causas: A maior parte das diarreias agudas são de etiologia infeciosa e, dentro destas, a causa mais frequente são os vírus ou intoxicações alimentares provocadas por toxinas bacterianas.

2. Diarreia crónica
A diarreia crónica pode constituir um desafio no diagnóstico. Para a sua investigação, interessa apurar dados relativos à pessoa (o género, a idade, a toma de medicamentos, os hábitos sexuais e a história familiar) e às características do quadro que apresenta (número de dejeções diárias e a ocorrência noturna, a presença de sangue, muco ou pus nas fezes, dor abdominal, febre, sudorese noturna e palpitações). É também importante saber se há anorexia ou emagrecimento significativos.

Causas
Síndrome do intestino irritável: dor abdominal acompanhada de diarreia; implica ausência de diarreia noturna frequente e a emissão de sangue nas fezes, febre e emagrecimento. O seu início é mais frequente nas idades jovens.

Doença inflamatória intestinal (Doença de Crohn e colite ulcerosa): pode manifestar-se através de uma miríade de sintomas, desde diarreia crónica (com ou sem emissão de sangue nas fezes) acompanhada de dor abdominal e febre, até situações de desnutrição grave. O seu início é mais frequente nas idades jovens.

Intolerância à lactose: quando a diarreia se manifesta entre 30 minutos a 2 horas após a ingestão de leite e/ou derivados e é acompanhada de dor e distensão abdominal, flatulência. Estima-se que esta intolerância afete cerca de um quarto da população.

Síndrome de malabsorção: nos países ocidentais, a principal causa desta síndrome é a doença celíaca.

Neoplasias: entre as neoplasias, os tumores do cólon e do reto são os mais frequentes e têm maior prevalência após os 50 anos de idade.

Medicamentos: são uma causa cada vez mais reconhecida de diarreia crónica. Há fármacos de uso comum (e até abusivo) que muitas vezes se associam a diarreia, como os anti-inflamatórios não esteroides, inibidores da bomba de protões e alguns psicofármacos. Por se tratar de um diagnóstico de exclusão, alguns medicamentos devem ser suspensos ou substituídos por equivalentes, se tal for possível.

Erros a evitar

O uso de antibióticos deve ser excecional, ficando reservado para os casos mais prolongados de diarreia, que se acompanham de febre alta e sintomas constitucionais importantes, como mal-estar geral, vómitos e anorexia, bem como sinais de desidratação.

Tratamento

Evitar a desidratação. Ter particular atenção à hidratação nos meses mais quentes do ano, na população idosa e nos doentes crónicos;

Se for necessário, pode recorrer-se a soluções com eletrólitos para corrigir défices iónicos eventuais. Esta avaliação e prescrição deve ser sempre orientada por um médico;

Pode ser útil não ingerir leite, gorduras e fibras em excesso;

A utilização de probióticos é mais comum nos casos de diarreia atribuída a medicamentos – antibióticos, na maior parte dos casos.

Colaboração:
Miguel Serrano, gastrenterologista do Hospital Lusíadas Lisboa

Especialidades em foco neste artigo:
Gastrenterologia