Dia Mundial da Alimentação: “Geração Fome Zero”

No dia 16 de outubro a Organização das Nações Unidas para Alimentação e a Agricultura (FAO) comemora o Dia Mundial da Alimentação. Saiba em que consiste esta iniciativa.

Dia Mundial da Alimentação: o que deve saber sobre a iniciativa "Geração Fome Zero"

A comemoração do Dia Mundial da Alimentação, que teve início em 1981, é atualmente assinalada em mais de 150 países, onde se inclui Portugal, sendo que esta data é uma das mais celebradas no calendário das Nações Unidas.
A FAO tem vindo a adotar diferentes temas desde 1981 com a finalidade de consciencializar as populações relativamente à nutrição e à alimentação. O tema escolhido para este ano é ‘’Geração Fome Zero’’, tópico que promove uma ação mundial focada nas pessoas que passam fome e alerta para a necessidade de assegurar dietas equilibradas que se traduzam numa maior segurança alimentar para todos. Torna-se, assim, uma oportunidade importante para enviar uma mensagem sólida ao público: nós podemos acabar com a fome no mundo até 2030 e tornarmo-nos a ‘’Geração Fome Zero’”. Contudo, para alcançar este objetivo, todos nós devemos trabalhar em conjunto.

Fome no mundo com números alarmantes

Após um período de declínio, a nível global, a fome e a malnutrição crónica encontram-se novamente em ascensão. Num mundo onde o alimento produzido é suficiente para todos, mais de 820 milhões de pessoas sofrem de desnutrição crónica. Simultaneamente,1,3 biliões de pessoas apresentam excesso de peso, dos quais 672 milhões são obesos.

Os conflitos, as mudanças climáticas e a desaceleração económica levaram a um recuo no progresso anteriormente alcançado na luta contra a fome e desnutrição sendo que, atualmente, a fome mata mais pessoas do que a malária, tuberculose e SIDA juntos.

Como podemos contribuir para alcançar a ‘’Geração Fome Zero’’?

Todos temos um papel a desempenhar: diminuir o desperdício alimentar, comer melhor e adotar um estilo de vida sustentável são a chave para construir um mundo livre de fome até 2030. Mas como o fazer no dia a dia? Os conselhos da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura:

  • Doe alimentos.

Um terço dos alimentos produzidos a nível mundial são desperdiçados.

  • Compre apenas o essencial.

Planeie as suas refeições, elabore uma lista de compras e cumpra, evite compras por impulso – vai desperdiçar menos comida e economizar dinheiro.

  • Armazene os produtos alimentares mais antigos na frente do armário/frigorífico e os novos no fundo.

Depois de abertos, utilize recipientes herméticos para manter os alimentos frescos e garanta que as embalagens estão corretamente fechadas para diminuir o possível desperdício alimentar.

  • Poupe água.

A água é essencial à vida e não podemos produzir alimentos sem ela. Embora seja importante que os agricultores diminuam o gasto de água no cultivo de alimentos, a população também deve poupar água em casa. Quando desaproveitamos comida, desperdiçamos os recursos hídricos que foram utilizados na produção da mesma. Por exemplo, são necessários 50 litros de água para produzir uma laranja. Desperdice menos água, optando, por exemplo, por um duche em alternativa ao banho de imersão ou desligando a água enquanto escova os dentes.

  • Informe-se sobre a proveniência da comida.

O respeito pelos alimentos também é saber de onde vêm, o que os constitui e preferir opções mais saudáveis. Construir uma horta em casa ou participar numa horta comunitária permite não só ter acesso a alimentos nutritivos, como também a alimentos mais saudáveis.

  • Apoie produtores locais de alimentos.

Com o aumento da populaçãoos agricultores devem explorar novas formas de cultivar alimentos. O uso de uma abordagem integrada na agricultura não só ajudará os agricultores a aumentar o rendimento das suas colheitas e lucros como também melhorará a qualidade dos terrenos.

  • Escolha frutas e legumes “feios’’.

Não julgue a comida pela sua aparência. Frutas e verduras de formas estranhas ou consideradas demasiado maduras são frequentemente rejeitadas porque não atendem aos padrões do consumidor. Estas frutas e verduras apresentam o mesmo paladar ou ainda melhor que as restantes. A fruta madura também pode ser aplicada em smoothies, sumos e sobremesas.

  • Seja um consumidor consciente.

Tente comer, uma vez por semana, uma refeição vegetariana (incluindo leguminosas como lentilhas, feijões, ervilhas e grão-de-bico) em alternativa ao prato de carne.

  • Compre produtos a empresas que seguem práticas sustentáveis ​​e não prejudicam o meio ambiente.

Lembre-se: os preços baixos frequentemente significam altos custos humanos e ambientais.

  • Aprenda a interpretar os rótulos dos alimentos.

Há uma grande distinção entre as datas de “consumir até” e “consumir de preferência antes de”. “Consumir até” informa quando existe risco para o consumidor enquanto que, “consumir de preferência antes de” indica apenas uma recomendação limite de consumo. Capacite-se para identificar ingredientes não saudáveis, como por exemplo, gorduras trans, conservantes e açúcar.

  • Opte por comida orgânica.

A agricultura biológica mantém os terrenos estáveis contribuindo assim para a luta contra as mudanças climáticas.

  • Preserve as populações de peixes.

Opte por consumir espécies mais abundantes, como a cavala ou o arenque em detrimento das espécies sobre exploradas, como o bacalhau ou o atum. Selecione peixes que foram capturados ou criados de forma sustentável.

Lembre-se que as escolhas que fazemos hoje refletem-se no amanhã! 

Referências bibliográficas:
Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO, na sigla em inglês), disponível em www.fao.org 

Autoria:
Ana Rita Lopes, coordenadora da Unidade de Nutrição Clínica do Hospital Lusíadas Lisboa

Especialidades em foco neste artigo:
Nutrição Clínica