Riscos do seu filho fazer dieta sem acompanhamento médico

Fazer uma dieta sem acompanhamento médico é um risco em qualquer idade, mas ainda maior quando se trata de crianças e jovens que se encontram em fase de crescimento e desenvolvimento, o que exige necessidades energéticas e nutricionais específicas. O primeiro passo deve ser sempre consultar o pediatra. O médico ou o nutricionista devem acompanhar de perto todas as fases da reeducação alimentar.

Riscos do seu filho fazer dieta sem acompanhamento médico

Cuidado com as dietas da moda

Nunca se deve tentar o reduzir o excesso de peso através de uma dieta sem orientação médica. Os adultos com excesso de peso podem realizar uma alimentação com baixo teor de hidratos de carbono, com relativa segurança, durante um determinado período de tempo e sempre seguindo as orientações de um nutricionista. Mas é importante realçar que os hidratos de carbono são a principal fonte de energia das células, não havendo estudos conclusivos com crianças e adolescentes em relação à restrição de hidratos de carbono ou de qualquer outro grupo de nutrientes.

Quando uma criança ou um jovem segue uma dieta da moda, há o risco de eliminar ou reduzir nutrientes essenciais da sua alimentação, como proteínas, vitaminas e minerais, necessários para o bom desenvolvimento físico e intelectual. Em nenhuma circunstância devem realizar dietas à base de batidos ou de produtos industrializados equivalentes.

Consulte o pediatra 

Se os pais ou outros responsáveis considerarem que a criança ou o adolescente tem peso a mais, devem começar por consultar o pediatra. Na verdade, os adultos tendem a achar que os filhos não estão a comer assim tanto, que estão “a crescer” e não é assim tão raro demorarem a perceber que as crianças podem ter peso a mais.

Dieta saudável: varie a ementa 

O crescimento e o desenvolvimento saudáveis dependem da ingestão de alimentos diversificados e de boa qualidade nutricional, que garantam o aporte de todos os nutrientes essenciais nas proporções corretas. Fazer uma alimentação equilibrada significa consumir alimentos de diferentes grupos, como frutos e legumes, laticínios, carnes (de preferência magras), peixe, ovos, leguminosas e cereais, preferencialmente integrais, pois apresentam um maior teor de fibra e, são por isso, mais saciantes.

Estas orientações podem ser sempre adaptadas por um nutricionista às necessidades individuais da criança ou do jovem, em termos de quantidade e qualidade dos alimentos a preferir.

As gorduras nem sempre são más

As gorduras (lípidos) desempenham funções essenciais para o organismo. As gorduras saudáveis ajudam a construir as membranas das células, inclusive do cérebro, a formar o escudo protetor de órgãos como a pele, a regular a temperatura do corpo, entre outras funções vitais. Eliminar ou reduzir a ingestão de gordura, sem a orientação de um especialista, pode ser um risco para a saúde em todas as idades.

Evite o efeito ioiô

As dietas da moda, muitas vezes restritivas em termos energéticos e nutricionais, podem até favorecer uma perda de peso rápida no início, mas há o risco de se ganhar ainda mais peso no final do processo. Além disso, em certos casos, a dieta pode aumentar o risco de transtornos alimentares graves, comuns na adolescência, como a anorexia e a bulimia nervosa. É importante lembrar que as alterações normais do crescimento na transição para a puberdade acarretam um aumento de peso, o que é normal. Se existirem suspeitas de que o aumento de peso é fora do normal, ou de comportamentos desadequados relativamente à alimentação, por restrição ou compulsão alimentar, os pais devem consultar o pediatra.

 Fonte: 
Adaptado de AMIL Saúde: Obesidade Infantil Não

Revisão científica:
Ana Rita Lopes, coordenadora da Unidade de Nutrição Clínica do Hospital Lusíadas Lisboa

Especialidades em foco:
Nutrição Clínica