Fimose: o que é e como tratar

Chama-se fimose à incapacidade de contrair o prepúcio para trás da glande do pénis. O problema pode ter diferentes graus, mas, sobretudo, é importante distinguir a causa desta inaptidão.

A fimose implica a perda irreversível da elasticidade da pele por fenómenos de cicatrização pós traumatismos ou de infeções

Os bebés nascem com a pele do prepúcio colada à glande do pénis e essa é uma situação fisiológica que o tempo quase sempre resolve. A fimose propriamente dita implica a perda irreversível da elasticidade da pele por fenómenos de cicatrização pós traumatismos ou de infeções, como explica João Varregoso, coordenador da Unidade de Urologia do Hospital Lusíadas Lisboa.

O que é?

Chama-se fimose à incapacidade de contrair o prepúcio para trás da glande do pénis. O problema pode ter diferentes graus, mas, sobretudo, é importante distinguir a causa desta inaptidão:

  • Fimose fisiológica/pediátrica

Os bebés nascem com a pele que cobre a glande (prepúcio) colada à própria glande. É uma situação fisiológica que não deve ser confundida com uma patologia. As aderências que impedem a retração do prepúcio desaparecem naturalmente, na maioria dos casos até aos três anos, podendo a resolução completa arrastar-se até aos 10 anos.

  • Fimose patológica

A origem do problema é geralmente inflamatória. Na sequência de uma infeção local, causada por bactérias ou fungos, a pele fica danificada, com sequelas cicatriciais dessas microlesões e a pele perde elasticidade tornando impossível a retração do prepúcio. A situação é irreversível e obriga a intervenção cirúrgica. Casos extremos de fimoses pronunciadas muito prolongadas no tempo são fator de risco para tumor do pénis — são, contudo, situações muito raras.

Sintomas da fimose

  • Nas crianças

A incapacidade de exposição da glande, por si só, não é motivo de preocupação — e também é normal que se possam acumular secreções que chegam a formar pequenos altinhos. São resultado da escamação das células do epitélio, que se misturam com óleos e gorduras acumulando-se nos genitais formando o chamado esmegma.

Nas crianças, quase tudo é normal: até mesmo a formação de um pequeno balão ao urinar pode apenas significar que o diâmetro da uretra é ainda maior do que o do prepúcio. Os pais apenas devem ter alguns cuidados com a higiene, afastando a pele suavemente para manter a zona limpa, sem forçar a retração da pele, o que pode provocar lesões e originar uma fimose patológica.

“Não tem qualquer interesse forçar a evolução do processo [de descolamento]”, defende o urologista João Varregoso. No entanto, é sabido que a fimose fisiológica pode facilitar as situações inflamatórias que exigem tratamento imediato.

  • Os sinais de alerta de infeções nas crianças são:

Dores;
Desconforto;
Ardor;
Dificuldade em urinar.

  • Nos adultos

A fimose surge nos adultos por regra na sequência de traumatismos, inflamações e/ou infeções como as postites (inflamação do prepúcio). As infeções deixam sequelas na pele que, ao cicatrizar se torna mais espessa, perdendo a elasticidade e impedindo a necessária dilatação dos tecidos.

  • Os sinais de alerta de infeções nos adultos são:

Ereções dolorosas;
Diminuição da sensibilidade sexual;
Dores;
Sangue na urina;
Ardor;
Dificuldade em urinar;
Jato urinário fraco;
Infeções urinárias frequentes.

Como se trata a fimose?

  • Fimose fisiológica/pediátrica

Para facilitar o descolamento do prepúcio, os pediatras recorrem muitas vezes ao uso de corticoides, em forma de pomada, recomendando a sua aplicação por um período de seis a oito semanas, com uma média de duas aplicações diárias. A intenção do tratamento é “amolecer a pele”, facilitando o seu descolamento. A opção de tratamento não se aplica aos casos onde já existem lesões cicatrizadas – fimose patológica.

  • Fimose patológica

A cirurgia é a única alternativa, para adultos e crianças. Ainda assim, dependo da extensão das lesões e da gravidade da situação, os médicos podem sugerir diferentes soluções:

1. Prepúcioplastia:

É a opção menos radical, válida para situações em que o estreitamento do prepúcio não é demasiado pronunciado. O procedimento consiste em obter o alargamento do prepúcio através de incisões, retalhos de pele e movimentos de rotação específicos, realizados pelo cirurgião durante a cirurgia. “É a solução preferida dos cirurgiões pediátricos, porque não implica alteração da imagem corporal”, explica João Varregoso.

2. Circuncisão:

A remoção total do prepúcio e, em algumas culturas, como no judaísmo ou islamismo, é um procedimento generalizado, por questões religiosas. Implica alteração da imagem corporal e como a glande fica desprotegida verifica-se uma ligeira perda de sensibilidade erógena, provocada pelo espessamento da pele. A cirurgia não interfere porém com a capacidade de sentir e provocar no/a parceiro/a prazer sexual. Além disso, diminui o risco de doenças sexualmente transmissíveis.

 

Colaboração:
João Varregoso, coordenador da Unidade de Urologia do Hospital Lusíadas Lisboa

Especialidades em foco neste artigo:
Urologia