Peito escavado: o que é e como tratar

O peito escavado (ou pectus excavatum) é uma das deformidades mais comuns da parede torácica e é quatro vezes mais frequente nos homens.

Peito escavado: o que é o pectus excavatum?

O que é o peito escavado?

É basicamente um “buraco” no peito. Apresenta-se como uma depressão do esterno e das costelas. Pensa-se que resulta do crescimento excessivo das cartilagens que ligam as costelas ao esterno.
Afeta cerca de um em 500 portugueses, sendo que é quatro vezes mais frequente nos homens.
Apesar do peito escavado poder estar presente ao nascimento, a grande maioria só se manifesta durante o pico de crescimento da adolescência. Neste período, pode ocorrer um desenvolvimento desregulado do esterno e das costelas, o que resulta na depressão do peito, muitas vezes associada a uma postura incorreta e até a alterações da coluna.

Causas

Até ao momento não se conhece o gene responsável pelo desenvolvimento do pectus excavatum, mas sabe-se que há uma predisposição genética: em 35% dos casos há registos de familiares com a mesma deformidade.

Consequências 

  • Físicas

Por norma, as pessoas com pectus excavatum são altas e magras e apresentam uma postura alterada. Do ponto de vista clínico, podem experimentar intolerância ao exercício físico, dor torácica e falta de ar.

  • Psicológicas

Como a maior parte das pessoas com pectus excavatum apresenta exames cardiopulmonares normais ou com ligeiras alterações, uma das principais consequências é a baixa autoestima devido a uma imagem corporal negativa com repercussões psicossociais significativas.
Para evitar que o pectus excavatum seja identificado, os adolescentes e adultos com esta deformidade evitam muitas vezes situações sociais que incluam revelar o seu corpo (como uma ida à praia, à piscina ou a simples prática de um desporto) e há uma tendência já identificada de que algumas destas pessoas desenvolvem pensamentos suicidas.

Tratamento do pectus excavatum ou peito escavado

Classicamente, a correção passava por uma cirurgia muito mutilante. Nos últimos anos, a abordagem passou a ser mais abrangente, com novas opções conservadoras e com uma técnica cirúrgica minimamente invasiva. Os avanços técnicos permitiram que o peito escavado possa, atualmente, ser tratado sem cirurgia num crescente número de casos.

  • Crianças

No caso das crianças com peito escavado, a abordagem passa por um plano de exercício combinado com uma ventosa de sucção do peito. A utilização desta ventosa (vacuum bell) aplicada sobre o defeito durante algumas horas por dia permite resultados excelentes, sendo até possível a correção completa de alguns casos.

  • Adolescentes e Adultos

Na adolescência e na idade adulta, também pode ser utilizada a ventosa (vacuum bell) nos casos mais moderados, com resultados muito bons.
Nos casos mais graves, o tratamento pode passar pela correção cirúrgica. A cirurgia utilizada atualmente é uma técnica minimamente invasiva (Procedimento de Nuss) que consiste na colocação de uma ou mais barras (de aço ou de titânio), que permitem corrigir de imediato a escavação do peito. Estas próteses são moldadas especificamente para o doente e introduzidas através de duas pequenas incisões laterais. Permanecem no doente durante três anos, sendo removidas após este período.

Centro Multidisciplinar de Deformidades Torácicas

O Centro Multidisciplinar de Deformidades Torácicas do Hospital Lusíadas Porto disponibiliza um conjunto de respostas e soluções para o tratamento do peito escavado e de outras deformidades torácicas.

O centro reúne todas as valências necessárias para uma avaliação completa e integral das pessoas com deformidade torácica e um tratamento adequado também à sua faixa etária. A pessoa é observada por várias especialidades, nomeadamente por Cirurgia Pediátrica, por Ortopedia e por Medicina Física e de Reabilitação, permitindo o estabelecimento de um plano terapêutico adequado a cada caso.

Especialidades em foco neste artigo:
Cirurgia Pediátrica