Calvície: por que há homens carecas e outros não?

A predisposição genética é a causa mais comum da calvície masculina, também designada de alopecia androgenética, como explica a dermatologista Ana Paula Cunha, do Hospital Lusíadas Porto.

Calvície: por que razão alguns homens são e outros não?

Tipos de calvície

  • Alopecia androgenética

Surge predominantemente no homem, mas também afeta o sexo feminino.
Há uma enzima que existe nos folículos pilosos (a 5-alfa-redutase) que tem um efeito local, no próprio folículo do pelo, provocando miniaturização do pelo e diminuição do número de cabelos. Tipicamente começa por afetar as zonas frontais, provocando as chamadas “entradas” atingindo também a porção superior da cabeça, geralmente mais tardiamente.

  • Alopecias por deflúvio telogénico

Há várias causas para esta perda de cabelo, que pode ser provocada por dietas, ou seja, por uma má alimentação, nomeadamente com deficiência de ferro, por certos medicamentos, cirurgias, doenças da tiroide, ou frequentemente no pós-parto.

  • Alopecia tóxica ou por deflúvio anagénico

Deve-se a certos medicamentos, como na quimioterapia ou intoxicações.

  • Alopecia areata

Perda repentina de cabelo, com uma ou mais peladas. Com o tempo e com os tratamentos, de uma forma geral, o cabelo volta a crescer (por vezes demora meses a voltar à normalidade). Não se sabe a origem, mas suspeita-se que seja uma resposta autoimune (em que o organismo se ataca a si próprio).

  • Alopecia traumática

Provocada por tração, como em penteados em que os cabelos são puxados com muita força (por exemplo, certas tranças), ou por traumatismo causado pela própria pessoa, geralmente devido a stresse emocional (um problema a que se chama tricotilomania e que consiste no impulso de arrancar ou torcer o cabelo/pelo até se partir).

  • Alopecia induzida por produtos químicos

Causada pelo calor excessivo ou reações químicas a certos tratamentos cosméticos, nomeadamente certos métodos para frisar ou alisar o cabelo.

Por que razão só alguns homens são afetados na alopecia androgenética?

A calvície mais comum, a alopecia androgenética, tem um componente familiar importante, sendo essenciais os fatores genéticos, pensando-se que seja poligénica, ou seja, com vários genes envolvidos. Por isso é mais comum verem-se homens carecas em gerações diferentes da mesma família. Quando o pai, tios ou avôs são calvos, maior é a probabilidade de se ser afetado.

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Tratamentos disponíveis

As terapêuticas são variadas e ajustadas caso a caso, de acordo com a situação clínica do cabelo e todas as restantes doenças que possam existir.

  • Tratamento local

Produtos de utilização local, aplicadas diretamente na área afetada, que retardam ou impedem a perda de cabelo.

  • Tratamento oral

Existem medicamentos que inibem os recetores da enzima associada à calvície mais comum e outros tratamentos ajustados a cada causa.

  • Tratamento cirúrgico

O transplante capilar consiste em usar o cabelo das zonas laterais e posteriores da cabeça, para preencher as áreas afetadas. Os folículos depois de retirados da zona doadora são divididos um por um, sendo depois transplantados na zona sem cabelo.
Os tratamentos aconselhados dependem sempre da avaliação clínica feita pelo médico. Além do tipo de calvície, é importante ter em conta a situação geral da pessoa.
Avaliações tardias, ou situações menos comuns de certas doenças mais graves, poderão fazer com que a situação seja irreversível. No entanto, há sempre tratamento adequado, que será tanto mais eficaz, quanto mais cedo se começar.

Colaboração:
Ana Paula Cunha, dermatologista do Hospital Lusíadas Porto

Especialidades em foco neste artigo:
Dermatologia