Azia: o que é e como evitar

Um em cada cinco portugueses chega ao médico de família com queixas de uma sensação de queimadura que sobe da parte de trás do peito até à garganta. Vitor Viriato, coordenador da Unidade de Gastrenterologia do Hospital Lusíadas Porto, explica como se pode tratar a azia.

Azia: o que é e como evitar

O que é?

Azia é uma sensação de queimadura com origem na parte de trás do peito e que por vezes sobe, podendo irradiar até ao pescoço e garganta, explica Vitor Viriato, coordenador da Unidade de Gastrenterologia do Hospital Lusíadas Porto. O ardor é quase sempre provocado pelo refluxo do suco gástrico para o esófago. O esfíncter esofágico inferior, uma espécie de válvula que está entre o esófago e o estômago, só deveria abrir para a passagem dos alimentos durante as refeições, mas por funcionamento deficiente permite o fluxo do ácido do estômago em sentido inverso.

Prevenir e controlar a azia

 Alimentação

Evite alimentos que favorecem a azia. Tais como:
Bebidas alcoólicas;
Café;
Chá;
Chocolate;
Bebidas gaseificadas;
Refeições pesadas e ricas em gorduras (por exemplo, com muitos molhos);
Sumo de laranja e sumo de tomate.

 Mudar hábitos

  • Deve esperar que o esvaziamento gástrico termine

Deve evitar ir para a cama antes do esvaziamento gástrico estar completo – o que demora cerca de três horas;

  • Não deve fumar

Deixar de fumar é fundamental — o tabaco favorece a azia;

  • Previna a obesidade

Os obesos, devido ao aumento da pressão intra-abdominal, associada a hábitos alimentares prejudiciais, são um conhecido grupo de risco. E está provado que o simples facto de reduzir o peso em alguns quilos leva a um melhor controlo e/ou desaparecimento da azia.

 Fatores de risco

  • Gravidez

Durante a gravidez, o aparecimento de azia é quase inevitável. Isto deve-se não só ao aumento da pressão intra-abdominal devido ao crescimento progressivo do útero, mas também a alterações hormonais (aumento de progesterona e estrogénios que baixam a pressão do esfíncter inferior do esófago).

  • Toma de certos fármacos

Alguns fármacos também podem ser prejudiciais. Anti-inflamatórios, aspirina, alguns medicamentos para doenças do coração e hipertensão (nitratos, inibidores do Cálcio) e para a asma. Consulte o seu médico.

Tratamento

O tratamento da azia envolve em primeiro lugar a mudança de alguns hábitos alimentares e de vida prejudiciais. Depois, o tratamento é feito com recurso a medicamentos: antiácidos que neutralizam o ácido gástrico; procinéticos, que melhoraram o funcionamento do esfíncter esofágico inferior e as contrações do esófago; ou inibidores da produção de ácido, que são de longe os mais eficazes. Em qualquer dos casos, mesmo que o doente sinta o problema controlado, a situação deve ser reavaliada pelo médico pelo menos uma vez a cada dois anos.

Sinais de alarme

Existem alguns sintomas e sinais que obrigam a investigação imediata – endoscopia digestiva alta — antes de iniciar o tratamento da azia, já que podem indiciar situações de diferente tratamento e/ou pior prognóstico. Consulte imediatamente o seu médico se sentir também dificuldade em engolir (disfagia) ou dor quando engole (odinofagia) e perante hemorragia digestiva ou sinais de emagrecimento e/ou anemia. Em alguns pacientes, os sintomas de azia são muito semelhantes aos da angina de peito ou enfarte de miocárdio, o que pode obrigar também a efetuar exames cardiológicos.

Um problema universal

Em Portugal, um inquérito revelou que cerca de 20% dos pacientes das consultas de medicina familiar tinham tido queixas de azia nas quatro semanas anteriores e que 7,4% dos entrevistados se queixavam de azia duas ou mais vezes por semana, o que torna o refluxo gastro-esofágico uma questão de Saúde Pública.

A azia é um problema que afeta todos os países ocidentais, sendo mais frequente nos Estados Unidos da América e bastante menos representativa na Ásia. Na Europa, os países do Norte são mais afetados que os do Sul. As diferenças poderão ser justificadas pela discrepância de hábitos comportamentais (consumo de álcool, café, tabaco, medicamentos), padrões demográficos (mais obesidade, maior número de gravidezes) e ainda fatores genéticos.

Colaboração:
Vitor Viriato, coordenador da Unidade de Gastrenterologia do Hospital Lusíadas Porto

Especialidades em foco neste artigo:
Gastrenterologia