A grávida deve comer por dois?

Uma alimentação saudável na gravidez é fundamental para a saúde da mãe e do bebé, mas tal não significa que a grávida deva comer por dois.

Alimentação saudável na gravidez: a grávida deve comer por dois?

Durante a gestação, os hábitos alimentares da mãe refletem-se não só no seu organismo mas também no do seu bebé, uma vez que este depende totalmente da mãe para obter os nutrientes de que necessita. Manter o equilíbrio e uma alimentação saudável na gravidez enquanto se luta para controlar a fome não é fácil. No entanto, se souber quais são as necessidades efetivas dos dois envolvidos, bem como os cuidados alimentares a ter, é mais fácil tomar a melhor decisão. A Unidade de Nutrição Clínica do Hospital Lusíadas Lisboa ajuda nessa tarefa de manter uma alimentação saudável na gravidez.

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(A necessidade de suplementação deve ser avaliada individualmente, de modo a colmatar eventuais défices nutricionais)

Aumento ponderal na mulher grávida

O aumento de peso na mulher grávida deve ser controlado, pois poderá ter influência no prognóstico da gestação e no peso do bebé à nascença.

  • Aumento de peso insuficiente

Constitui um fator de risco de prematuridade e/ou o baixo peso à nascença;

  • Aumento de peso excessivo

Aumenta a probabilidade de excesso de peso à nascença, complicações durante o parto e o risco de desenvolvimento de diabetes e pré-eclâmpsia.

O aumento do peso recomendado durante a gravidez depende do Índice de Massa Corporal (IMC) da mãe, antes da conceção.

Necessidades nutricionais na gravidez

As necessidades energéticas (calóricas) da grávida variam de acordo com o período de gestação:

Até ao segundo trimestre não ocorre aumento das necessidades energéticas;

No segundo trimestre considera-se um acréscimo de 340 calorias às necessidades energéticas normais;

No terceiro trimestre verifica-se um aumento de 452 calorias/dia.

Ingestão de macronutrientes:

  • Proteínas

Apesar das necessidades proteicas aumentadas, não é necessária suplementação ou aumento do consumo, uma vez que, por norma, a ingestão já é superior ao recomendado.

  • Hidratos de Carbono

A ingestão diária e fracionada de cereais, derivados e tubérculos constitui a principal fonte de energia do organismo.

  • Lípidos

É fundamental a ingestão diária de ómega 3, essencial para o desenvolvimento do sistema nervoso fetal.

  • Fontes de ómega 3

Peixes gordos (sardinha, salmão, atum, …), frutos oleaginosos (nozes, amêndoas, avelãs, …) e alimentos enriquecidos.

Micronutrientes

A necessidade de consumo de alguns micronutrientes (vitaminas e minerais) encontra-se aumentada durante o período de gestação, devendo a sua ingestão ser privilegiada.

Prevenção da Toxoplasmose

Os hospedeiros do Toxoplasma Gondii são os gatos domésticos e selvagens. Os restantes mamíferos terrestres e aves podem ser contaminados ao entrar em contacto com as fezes dos gatos. De modo a prevenir a contaminação por este microrganismo, é importante adotar alguns cuidados alimentares:

Confecionar muito bem a carne, peixe e ovos;

Evitar produtos lácteos não pasteurizados;

Higienizar muito bem os legumes e frutos.

Tome maior atenção quando consumir produtos fora de casa. Evite saladas, marisco, maionese e sobremesas confecionadas com ovos crus.

Alterações gastrointestinais

  • Náuseas e vómitos

A sensação de náuseas e vómitos é frequente essencialmente no primeiro trimestre de gravidez, podendo ser atenuada seguindo algumas recomendações alimentares:

Faça pequenas refeições com intervalos de 2 a 3 horas;

Evite a ingestão de líquidos às refeições, optando por fazê-lo entre refeições;

Evite a ingestão de refeições ricas em gordura.

  • Obstipação

Em caso de obstipação, opte por:

Aumentar a ingestão de líquidos, entre as refeições – água, chás, sumos de fruta naturais;

Consumir alimentos com elevado teor de fibras (legumes, fruta e cereais integrais);

Praticar exercício físico (de acordo com as recomendações médicas).

  • Azia

A pirose consiste na sensação de azia, bastante frequente nas mulheres grávidas, que pode ser evitada ou atenuada optando por:

Fazer pequenas refeições com intervalos de 2 a 3 horas;

Limitar o consumo de bebidas com gás, álcool, produtos com cafeína, chocolate, fruta ácida, tomate, fritos e picantes;

Evitar deitar-se após as refeições;

Evitar roupa apertada, que comprima o abdómen.

Últimas recomendações sobre alimentação saudável na gravidez

O acompanhamento nutricional deve ser sempre individualizado. Para mais informações deve contactar o seu dietista/nutricionista.

Especialidades em foco neste artigo:
Nutrição Clínica

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