Droga e álcool: como ajudar o seu filho

Por vezes, torna-se difícil aos pais demonstrarem aos filhos os riscos do seu consumo. Como podem abordar esta questão de uma forma saudável e construtiva?

Droga e álcool: como ajudar o seu filho

A adolescência é, por definição a época das experiências, da transgressão, da procura de uma identidade e de um lugar no mundo, onde a droga e o álcool estão muitas vezes presentes.
É, por isso mesmo, o período em que se correm riscos mas, em simultâneo, toma-se esse futuro por garantido. A descoberta pode ser uma viagem maravilhosa, mas tem perigos que os pais temem e que nem sempre sabem como abordar, de forma a evitá-los. O consumo de álcool e de droga é um deles. Com formação em Medicina da Adolescência, a pediatra Susana Groen Duarte, do Hospital Lusíadas Lisboa, dá algumas dicas. Munidos de informação sobre as motivações dos jovens, assim como com uma consciência mais precisa dos riscos, os pais terão as ferramentas adequadas para ajudar a contornar os obstáculos da melhor maneira possível.

Tipos de droga

  • Drogas legais

“A experimentação de álcool ou outras drogas na adolescência é comum. Basta passar por perto dos locais frequentados pelos jovens à noite, para ver que será uma exceção os que não estão de copo na mão. O que não quer dizer, como é óbvio, que tenham algum problema de dependência. O álcool, tal como o tabaco, é considerada uma droga legal, e em regra, o seu consumo por parte dos adolescentes é ocasional e recreativo”, diz Susana Groen Duarte.
O consumo do álcool é, no entanto, preocupante, dadas as consequências diretas, como acidentes de viação e indiretas ou a longo prazo, como doenças cardiovasculares, hepatite ou pancreatite.

  • Drogas ilícitas

Segundo dados do Instituto da Droga e Toxicodependência (IDT) de 2012, a cannabis é a substância ilícita mais precocemente consumida. Nos últimos anos o consumo destas substâncias, nos jovens entre os 15 e os 19 anos, decaiu. Porém, ainda chega aos 24% a percentagem de jovens entre os 15 e os 24 anos que consome cannabis ocasionalmente e 67% que consome regularmente.
“O problema de qualquer consumo, lícito ou ilícito, reside exatamente na frequência com que ocorre e na consciência dos riscos do consumo. Alguns experimentam e param, outros consomem ocasionalmente, mas há também quem desenvolva dependências”.

O que pode levar um jovem a uma situação de abuso de droga ou de álcool?

Para o desenvolvimento de dependência de drogas, existem fatores considerados de risco e fatores de proteção. É desta combinação de fatores que advém a probabilidade de o jovem se tornar um consumidor, ou dependente.

Alguns fatores de risco:

  • Domínio individual

Agressividade, impulsividade, baixa autoestima, baixa tolerância à frustração, dificuldade em enfrentar problemas;

  • Domínio familiar

História familiar de consumos, tolerância ao consumo de drogas, relações interfamiliares conflituosas, falta de acompanhamento parental, permissividade excessiva, prática disciplinar inconsistente;

  • Domínio escolar

Insucesso escolar, falta de motivação para os estudos e ausência de projetos para o futuro, absentismo;

  • Domínio da amizade

Envolvimento com grupos que utilizam droga;

  • Domínio da comunidade

Presença e disponibilidade de drogas na comunidade de convivência.

Alguns fatores protetores:

  • Domínio individual

Elevada autoestima, resiliência; interesse do jovem no seu futuro, com criação de objetivos de vida.

  • Domínio familiar

Vínculos familiares fortes, com apoio da família no processo de aquisição de autonomia pelo adolescente; ambiente familiar de suporte e segurança, com bom relacionamento e harmonia emocional;

  • Domínio escolar

Acompanhamento parental das atividades escolares e extraescolares; experiências escolares positivas;

  • Domínio da amizade

Estabelecimento de normas claras para os comportamentos sociais; contacto com os amigos e pais dos amigos do jovem.
A pediatra Susana Groen Duarte salienta porém que “a presença dos mesmos fatores de risco em jovens diferentes pode ter resultados diferentes, uma vez que a presença de fatores de proteção pode “anular” o efeito nocivo dos fatores de risco”.
Esteja atento, converse e mantenha uma relação de confiança. Em caso de necessidade, procure a ajuda de especialistas pois nem sempre somos capazes de resolver tudo sozinhos.

Por vezes, pais e filhos, precisam de pedir ajuda. Recorra aos especialistas sempre que sentir que não está a controlar a situação.

Colaboração:
Susana Groen Duarte, pediatra do Hospital Lusíadas Lisboa

Especialidades em foco neste artigo:
Pediatria