12 factos e mitos sobre a doação de sangue

Um vegetariano não pode ser dador? E posso ser recusado por ter peso a mais ou por ser diabético?

Doação de sangue: dúvidas frequentes

Primeira evidência: o sangue salva vidas. Os seus diferentes componentes (concentrados de eritrócitos, concentrados de plaquetas, plasma fresco, granulócitos) são essenciais em casos de hemorragias graves  e proporcionam a realização de incontáveis tratamentos médicos e cirúrgicos, como quimioterapias intensivas em leucemias, linfomas e tumores sólidos ou transplantes de medula óssea e outros órgãos.
Segunda evidência: nem todas as pessoas podem fazer a doação de sangue. Seja porque têm peso a menos, são menores ou… as respostas que se seguem, organizadas por Ilídia Moreira, especialista em Hematologia Clínica do Hospital Lusíadas Porto, explicam-lhe as principais condicionantes e ajudam-no a esclarecer alguns mitos.

O que é?

1. Existe sangue azul. 

MITO. A coloração do sangue depende predominantemente da sua oxigenação. Deste modo o sangue arterial – mais oxigenado e mais vermelho vivo – transporta oxigénio para todos os tecidos do nosso organismo e o sangue venoso – mais rico em dióxido carbono – apresenta uma coloração vermelha escura. O muito baixo teor de oxigénio em sangue arterial poderá levar a uma coloração muito escura, tonalidade azulada se quisermos, e significará grave doença respiratória ou outra situação clínica que exige medidas terapêuticas prontas e eficazes.

Quem pode fazer uma doação de sangue?

2. Não se pode doar sangue antes dos 16 e depois dos 60 anos. 

QUASE FACTO. Os limites de idade para o dador são entre os 17 e 18 anos – mediante consentimento dos pais ou de um tutor legal – e os 60 anos pela primeira vez ou 65 anos. Idade superior pode ser considerada de acordo com critério médico.

3. O peso pode ter influência na doação de sangue. 

FACTO. O dador deve ter um peso corporal igual ou superior a 50 Kg.

4. Não se deve dar sangue durante a gravidez ou enquanto se amamenta. 

FACTO. A gravidez leva a uma suspensão temporária da dádiva de sangue até seis meses após o parto, exceto em circunstâncias excecionais.

5. Os diabéticos não podem doar sangue. 

QUASE FACTO. A dádiva de sangue é suspensa definitivamente em qualquer indivíduo portador de diabetes (tipo I ou tipo II) que necessite de terapêutica com insulina ou em que o órgão-alvo esteja afetado (insuficiência cardíaca, acidente vascular cerebral, enfarte agudo do miocárdio, retinopatia, gangrena ou lesões cutâneas por perda de sensibilidade, por exemplo).
Se estas situações não se colocarem mas se se registar uma situação de controlo inadequado de glicemias, a suspensão é temporária.

6. Pessoas que sofreram enfartes, têm problemas cardíacos ou tomam medicação para a pressão alta não podem doar sangue. 

QUASE FACTO. A patologia cardíaca (desde enfarte do miocárdio ou angina de peito a arritmias) motiva a suspensão da dádiva de sangue.
Por outro lado a hipertensão arterial controlada sob medicação oral, sem compromisso cardíaco ou renal e sem patologia arterial periférica, não contraindica a dádiva de sangue.

7. Não se pode doar sangue se se tem uma tatuagem ou se fez um piercing há menos de um mês.

FACTO. Existe uma suspensão temporária de seis meses ou quatro meses se o teste de ácidos nucleicos para deteção do vírus da hepatite C for negativo.

8. Um vegetariano não tem ferro suficiente no sangue e por isso não pode ser doador.

MITO. Um vegetariano que não apresente anemia nem deficiência de ferro, ácido fólico ou vitamina B12 pode ser dador. Independentemente do regime alimentar, só são válidas as dádivas se o valor de hemoglobina for compatível e se este valor não estiver dependente de terapêutica com suplementos para anemia.

9. Os homossexuais e bissexuais não podem dar sangue.  

MITO. É mito. Mas todos os indivíduos (heterossexuais, homossexuais e bissexuais) cujo comportamento sexual os coloque em grande risco de contrair doenças infeciosas suscetíveis de serem transmitidas pelo sangue não podem dar sangue.

Há riscos inerentes à doação de sangue?

10. O HIV e outras doenças infeciosas podem ser contraídas ao doar sangue.

MITO. O ato de doar sangue não apresenta ao dador qualquer risco de contrair doenças infeciosas transmitidas pelo sangue porque a colheita é realizada com assepsia e não existe contacto com qualquer outro sangue.

11. Ao doar sangue fica-se a saber se se contraiu recentemente VIH.

MITO. Toda a dádiva de sangue é testada para despiste de infeção por VIH. No entanto é possível essa infeção não ser detetada laboratorialmente, em período de janela. Um recente comportamento de risco ou suspeita de contaminação, profissional ou outra, leva a exclusão de dádiva de sangue.

12. Podem transmitir-se doenças através de sangue doado.

FACTO. É facto que o risco de contrair infeções existe para o recetor, daí o papel primordial da triagem clínica na identificação de uma infeção recente que não é possível detetar em laboratório (pelo facto de estar num período de janela) ou para a qual não há testes laboratoriais de rastreio disponíveis.

Resumindo:

A doação de sangue é benévola, voluntária e gratuita e traduz-se numa dádiva de vida.
A segurança e eficácia deste ato tem como principal instrumento de controlo a triagem médica e testes laboratoriais que visam a preservação da saúde do dador e do recetor.

 

Colaboração:
Ilídia Moreira, especialista em Hematologia Clínica, Hospital Lusíadas Porto

Especialidades em foco neste artigo:
Hematologia Clínica