11 estratégias para o seu filho comer legumes

Quantas vezes já ouviu dos seus filhos: “Não gosto de brócolos” ou “Não gosto de cenoura”? Para o ajudar, Ana Rita Lopes, coordenadora da Unidade de Nutrição Clínica do Hospital Lusíadas Lisboa, explica o que pode fazer para os convencer do contrário.

11 estratégias para as crianças comerem legumes

As crianças começam a expressar as suas escolhas ou recusas alimentares desde muito cedo como forma de controlo sobre o ambiente que as rodeia. É importante ter consciência que pais, irmãos, avós e professores são muitas vezes os fatores modeladores das preferências e hábitos alimentares das crianças, pelo que a responsabilidade dos mesmos por este papel deve ser notória. A família deve oferecer o alimento à criança e avaliar a sua reação, de maneira a identificar se ela gosta ou não. É aconselhado que após a primeira recusa, por exemplo, de legumes, não se deverá insistir de imediato, pois irá criar um ambiente negativo e tornar a aceitação ainda mais difícil.

Contudo, a criança não deverá ter, também de imediato, outra alternativa de consumo para que perceba que não tem outra opção quando esta não lhe agrada. A American Society for Nutrition sugere aos pais que incentivem as crianças a provar 8 a 12 vezes o alimento que recusaram, para que se adaptem ao novo sabor.

O consumo de legumes recomendado diariamente pela Organização Mundial da Saúde é de 3 a 5 porções. As crianças, naturalmente, rejeitam alimentos novos e introduzir legumes em cada refeição torna-se, muitas vezes, uma tarefa difícil no seio da família. Deste modo, existem várias estratégias que podem ser adotadas e que facilitam e proporcionam uma alimentação mais saudável num ambiente divertido e descontraído para toda a família.Nunca se esqueça: a criança deve ser elogiada quando experimenta um alimento novo, porque ela reage positivamente aos elogios e interpreta-os como um excelente incentivo para continuar a agradar aos pais e à família!

A sopa é um bom exemplo de como ingerir um conjunto vasto de legumes de forma simples, conseguindo-se assim um bom aporte de vitaminas e minerais. Contudo, a família – muitas vezes pressionada pela seletividade que a criança apresenta – limita o consumo dos legumes à sua apresentação mais prática que é, de facto, a sopa. Assim, é importante que os legumes adquiram um papel cada vez mais dinâmico e atrativo, ou a criança conseguirá facilmente persuadir a família que o seu consumo não é relevante.

Algumas estratégias que poderá adotar:

1. Envolva as crianças na escolha, na preparação e na apresentação dos alimentos. Deixe que a criança ajude a preparar as refeições, explicando-lhe quais os legumes que está a utilizar, porquê e como os deverá preparar;

2. Procure escolher legumes de cores diferentes, evitando uma só cor, tentando fazer uma alimentação diversificada para despertar a curiosidade da criança;

3. Experimente novas formas de confeção como legumes salteados, grelhados ou em estufados, entre outras;

4. Na hora da refeição procure contar histórias e faça jogos para estimulá-las a consumir os legumes. Crie bonecos com os brócolos e cenouras ou corte os vegetais como o pepino em forma de estrela;

5. Para cativar a criança a consumir pratos diferentes procure dar nomes aos pratos ou mesmo aos legumes – eles não são inimigos;

6. Crie uma pequena horta em casa de forma a ensinar à criança a origem dos alimentos que consome;

7. Leve a criança ao mercado para que possa ajudar a selecionar os legumes;

8. Pode associar os legumes a outros alimentos que a criança não ofereça tanta resistência. Por exemplo, se não gostar de cenoura cozida, tente juntá-la ao arroz, pode enrolar a carne em legumes, juntá-los à massa, fazer um hambúrguer com carne e vegetais, ou mesmo incluí-los em sandes;

9. Forneça os legumes como um aperitivo. Por exemplo, palitos de cenoura ou aipo;

10. Tenha sempre vegetais disponíveis à mesa. Mesmo que a criança não os consuma é importante que se familiarize com o aspeto, cor e cheiro dos legumes que atualmente não gosta;

11. Nunca se esqueça: dê sempre o exemplo, consumindo o mesmo prato que pretende que a criança ingira.

Uma última dica… Não desanime se a criança não comer os legumes que preparou. É apenas uma questão de tempo. E dê o exemplo, com toda a família envolvida. Não menos importante, e um bom método para pôr uma criança a comer legumes, é encontrar outra criança que goste de legumes. Se o seu filho tem algum amigo que gosta e coma brócolos, convide-o já para jantar. Experimente!

Autoria:
Ana Rita Lopes, coordenadora da Unidade de Nutrição Clínica do Hospital Lusíadas Lisboa

Especialidades em foco neste artigo:
Nutrição Clínica